Sobre o fork do projecto Debian ao Firefox
Realmente não compreendo como se pode ter uma opinião tão intransigente sobre um projecto que nada se tem a ver. É certo que, como o outro dizia, as opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua e quem quer dá-la dá-la, mas vamos ser realistas, os gnomos, que vivem nas cavernas, que trazem as jóias – o software livre – aos meninos não vão desaparecer por existir mais uma cor da tão famigerada pedra preciosa.
Por mais forks que se faça, vai continuar a existir gente para trabalhar nos projectos. E se não houver, para um dado projecto, tanto melhor! O software livre subsiste a partir da máxima sobrevivência do mais apto, e como tal, os projectos que “morrerem” (na realidade só ficam adormecidos) só tornarão os vindouros melhores!
Não faltam exemplos: X.org versus X11, Firefox versus Seamonkey versus o próprio Firefox, Compiz versus Beryl.
Eu sei que o autor está preocupado com os pobres utilizadores que são apresentados ao Debian e não vão perceber que o IceWeasel é o Firefox, mas, para esses, realmente, não interessa!
Personal log
Tenho prosseguido no meu trabalho de final de curso, desta feita estou numa vertente mais teórica e de escriba. É um pouco entediante, por vezes, – é certo – mas tenho tido oportunidade de me cultivar nas áreas teóricas relativas ao projecto em que estou inserido, nomeadamente, a concorrência, cálculo-pi, introdução à escrita de uma tese e também aprender a trabalhar com LaTeX.
Relativamente às aulas, tenho andado a fazer uns trabalhos em Povray, o que quer dizer que, na 5ª feira, terei uma animação em 3D do sistema solar no YouTube, sim o que foi comprado por aquele dinheiro todo pel*o* Google.
Leituras
Em Setembro li o livro As Duas Espadas (David Gemmell). Não tenho o hábito de ler, mas decidi criá-lo aqui – em Lisboa. Achei o livro fascinante, muito bem escrito, de uma maneira sucinta e directa. Mesmo da forma que gosto das coisas. O autor não se preocupa muito com floreados de descrição, apenas quando é necessário, um bom exemplo da chamada escrita vigorosa.
Este mês, decidi comprar e lêr o livro A Voz do Fogo (Alan Moore), ainda estou muito no início – no segundo capítulo – mas já estou pasmado com a forma como é escrito. O grafismo intenso dos cenários macabros e bizarros. A linguagem obscena usada de uma forma tão inteligente e eficaz. Tudo é feito de modo a criar um ambiente hostil e, de certo modo, nos faz sentir desconfortáveis e descrentes da humanidade (o sentimento).
É engraçado, também, reparar como me influencio pelo que leio. No primeiro livro, As Duas Espadas, fiquei impressionado com a personalidade da personagem principal. Era comedido com as palavras, sagaz e não emotivo. O que gostei mais era na forma como poupava as palavras, só falava quando era necessário, não gastava saliva (nem tempo) com conversa fiada. Pouco tempo depois estava a fazer isso :) Começou de modo inconsciente, mas foi engraçado reparar nisso em mim.
Outro exemplo é o do livro que estou a lêr, o primeiro capítulo trata de um jovem que vive 4000AC e que é atrasado mental, a escrita reflete isso mesmo e as frases são feitas de uma forma muito peculiar. Depois de lê-lo durante algum tempo consecutivo dava por mim a pensar naquele dialeto primitivo! O segundo capítulo trata de temas lúgubres e dou por mim a pensar de um modo mais funéreo, com um humor mais negro.
Não gosto muito de filmes de terror, não porque me assusto facilmente, o que até acontece, nem porque fico sem dormir a pensar na possibilidade de haver um zombie no vão das escadas. A verdade é que me sinto desconfortável e, por isso mesmo, raramente vejo filmes de terror. Paradoxalmente, sinto um fascínio pelo autor Allan Poe e o modo como influenciou tanta obra/filme que adoro. Até tenho o livro Tales mas a leitura não é fácil, talvez com mais prática o digira melhor ;). Fica para Novembro?